Neste exclusivo, Pedro Zambarda, editor-chefe do Drops de Jogos, você vai conhecer o que o jogo indie brasileiro Black Sailors: A Santos Bay Tale busca contar. Ele mergulha na Baía de Todos os Santos durante o período colonial e coloca você no comando de uma tripulação de africanos escravizados que lidera uma revolta e toma um navio negreiro para libertar outras pessoas, enfrentando navios portugueses e apoiando quilombos. A reportagem aborda ataques preconceituosos que chegaram ao Steam, a resposta da equipe com o apoio da Afro Games e a visão decolonial que sustenta o projeto, com foco nas culturas Fon, Yorùbá e Bantu.
- Jogo Black Sailors mostra africanos escravizados que se revoltam na Bahia e buscam liberdade.
- O jogo sofreu ataques racistas coordenados no Steam e nas redes.
- A Mandinga busca consultoria de especialistas para retratar as culturas africanas com respeito.
- O jogo destaca várias culturas africanas e uma visão decolonial.
- Afro Games apoiou a equipe e diz que é importante combater o racismo nos games.
Black Sailors: A Santos Bay Tale enfrenta ataques de ódio durante divulgação no Steam
Você está acompanhando uma notícia sobre Black Sailors: A Santos Bay Tale, jogo indie brasileiro que deve chegar ao Steam. A equipe descreve a obra como uma abordagem histórica da Bahia durante o período colonial, com foco em africanos escravizados que lideram uma revolta e lutam pela liberdade. Enquanto o lançamento se aproxima, surgem ataques preconceituosos contra o título nas redes e na loja digital.
O que a desenvolvedora afirma sobre o projeto
Você vai entender que, segundo a Mandinga, o jogo é uma experiência decolonial criada em Salvador, com o objetivo de ampliar a compreensão da diáspora africana no Brasil. O estúdio pretende mostrar a diversidade de etnias e culturas — como Fon, Yorùbá e Bantu — que contribuíram para a formação do país, com apoio de uma pesquisadora pós-doutora especializada em Diáspora Africana e em Candomblé. O objetivo é apresentar a história com seriedade, sem recorrer a caricaturas, mantendo o foco na resistência e na luta pela liberdade.
Provas dos ataques e seu conteúdo
Você pode acompanhar que a equipe forneceu capturas de tela com comentários que desumanizam personagens negros e atacam a ideia de libertação. Algumas mensagens associam o tema a crime, zombam da proposta do jogo e criticam a representatividade, além de insinuarem apoio financeiro a partir de uma figura pública. Também há relatos de sarcasmo com o nome do estúdio e de insultos baseados em raça. Em conjunto, os relatos sugerem uma estratégia de descredibilizar o projeto nas plataformas.
Apoio da Afro Games e o impacto na equipe
Segundo a Mandinga, a Afro Games ofereceu apoio importante ao projeto, reconhecendo seu potencial e incentivando a continuidade da visão original. A organização aponta que o jogo propõe narrativas negras complexas e que o ataque recebido revela resistência a uma visão histórica que não se restringe ao ponto de vista dominante. A equipe descreve que os ataques contribuíram para uma sobrecarga de trabalho: além de programar, precisam moderar conteúdo de ódio nas redes.
Conclusão
Você percebe que, mesmo diante dos ataques de ódio, o que Black Sailors: A Santos Bay Tale propõe vai além de um jogo: é uma voz que amplia a compreensão da diáspora africana no Brasil e resiste, com coragem, ao silenciamento. Com uma abordagem decolonial, você vê que a obra coloca no centro a luta de africanos escravizados pela liberdade, conectando revolta, quilombos e uma visão histórica que honra as culturas Fon, Yorùbá e Bantu. Você reconhece o esforço da Mandinga em buscar consultoria especializada para retratar com respeito a diversidade, e o papel crucial da Afro Games ao apoiar o projeto e defender o combate ao racismo nos games. Ainda que haja desafios — as chamadas de ódio no Steam e nas redes — você entende que manter esse compromisso antirracista é essencial para a saúde da indústria. Você fica com a ideia clara de que apoiar narrativas negras complexas e bem pesquisadas é fundamental para um cenário de jogos mais justo, informado e inclusivo para todos.