Core 9 273QPE Supera Ryzen 9 9900X3D em Benchmark Após Modificação Inédita em Placa Z790

O cenário da tecnologia de hardware está em polvorosa com um feito notável alcançado por modders. O processador Core 9 273QPE, um chip originalmente exclusivo para OEMs e não projetado para o mercado de consumo, demonstrou capacidade de superar o respeitável Ryzen 9 9900X3D em testes de benchmark multi-core. Este feito impressionante foi possível graças a uma série de modificações complexas em uma placa-mãe Asus Z790, abrindo novas portas para entusiastas e a comunidade de overclocking.

O Despertar do Bartlett Lake em Hardware de Consumo

A saga começou com um modder que, após esforços persistentes, conseguiu fazer um processador Bartlett Lake operar em uma placa-mãe Asus Z790. Inicialmente, o Core 9 273QPE utilizado para o experimento apenas inicializava até a tela de POST. Contudo, a dedicação da comunidade nos fóruns do Overclock.net levou a avanços significativos. Após superar os desafios iniciais, o processador não só conseguiu carregar o sistema operacional Windows, mas também atingiu um nível de estabilidade suficiente para executar testes de desempenho, marcando um ponto de virada crucial nesta empreitada tecnológica.

Resultados Impressionantes no Cinebench R23

Com a estabilidade garantida, múltiplos benchmarks do Core 9 273QPE começaram a surgir no Cinebench R23, exibindo diferentes níveis de performance. Um dos resultados mais notáveis, publicado por CarSalesman, registrou 33.111 pontos no teste multi-core, com o processador operando a 5,4 GHz em todos os núcleos e consumindo 286W. Essa pontuação o posiciona marginalmente acima da média do AMD Ryzen 9 9900X3D, mesmo estando abaixo do Intel Core i7-14700, sublinhando a potência inesperada de um chip não destinado ao uso de consumo. No entanto, é importante notar que nem todos os testes foram igualmente robustos; um resultado menos otimizado da mesma conta mostrou cerca de 25.000 pontos, devido a limites de energia desbloqueados que causaram estrangulamento por queda de tensão (Vdroop), limitando os clocks a 4,3 GHz e elevando o consumo para mais de 320W.

A Chave para a Estabilidade: Otimização da Voltagem

Para mitigar as inconsistências de desempenho e alcançar os resultados mais expressivos, os modders aplicaram técnicas avançadas de otimização de energia. Ao travar a tensão do núcleo (Vcore) em 1,35 V e configurar o LLC6 (Load Line Calibration) na BIOS, eles conseguiram manter a tensão estável sob carga intensa. Essa intervenção foi fundamental para evitar o Vdroop, permitindo clocks sustentados mais altos e, paradoxalmente, um consumo de energia mais consistente e ligeiramente reduzido, evidenciando a importância do ajuste fino para extrair o máximo potencial do hardware modificado.

Engenharia Reversa: Desbloqueando o Potencial da BIOS

O sucesso dessa empreitada deve-se, em grande parte, aos esforços de kryptonfly, que desvendou o mistério da compatibilidade da BIOS. Os processadores Bartlett Lake, como o Core 9 273QPE, são únicos por possuírem 12 núcleos de desempenho (P-cores) com Hyperthreading, mas sem nenhum núcleo de eficiência (E-core). As BIOS das placas-mãe Z790 de consumo, no entanto, foram projetadas para lidar com um máximo de 8 P-cores, mesmo em processadores de 13ª e 14ª geração com contagens totais de núcleos mais altas devido aos E-cores. A solução engenhosa de kryptonfly envolveu a modificação da BIOS e a injeção de código, instruindo-a a reconhecer e permitir a operação de todos os 12 P-cores, superando o limite fixo que anteriormente causava travamentos e telas pretas.

Avanços da Comunidade e Aplicações Práticas

A repercussão dos experimentos de CarSalesman inspirou outros entusiastas, como Talon2016, a replicar e até mesmo aprimorar os resultados. Talon2016 alcançou 32.288 pontos no Cinebench, equiparando o Core 9 273QPE ao Core i9-13900K, um feito impressionante. Mais relevante ainda, Talon2016 demonstrou a viabilidade prática do chip, conseguindo jogar Battlefield 6 com o Secure Boot ativado na BIOS, mantendo clocks de boost de 5,4 GHz em todos os núcleos. A configuração utilizada incluía uma placa-mãe Asus ROG Maximus Z790 Apex e 64 GB de RAM DDR5 operando a 5.600 MT/s, com um resultado posterior ainda mais alto, de 33.818 pontos. Esses testes confirmam não apenas a capacidade de benchmark, mas também a funcionalidade em cenários de uso real.

Conclusão: Um Novo Horizonte para Enthusiastas

A capacidade de operar processadores Bartlett Lake em hardware de consumo representa um marco significativo. Embora esses chips nunca tenham sido destinados ao mercado fora dos OEMs industriais e de alta performance, eles compartilham o mesmo soquete LGA 1700 que os processadores Intel de 13ª e 14ª geração. Isso significa que a compatibilidade física sempre existiu; o desafio residia em tornar esses componentes eletricamente e logicamente compatíveis. O trabalho árduo da comunidade de modders e overclockers não apenas demonstrou a viabilidade técnica, mas também abriu um novo horizonte para entusiastas que buscam explorar o potencial oculto de hardware, impulsionando os limites do que é considerado possível no ecossistema de PCs.