Barry Leitch, um nome icônico na história dos videogames, cujo talento musical deu vida a clássicos como Top Gear e Lotus Turbo Challenge, teceu sua magia em um dos mais aclamados títulos brasileiros: Horizon Chase. A colaboração, que elevou o jogo da Aquiris a um patamar global, agora encontra um desfecho agridoce com a recente decisão da Epic Games de descontinuar as versões originais do game. Esta é a história da união de um mestre da melodia com um promissor estúdio independente e o destino de uma franquia amada.
A Lenda Musical de Barry Leitch e a Ponte para o Brasil
Nascido em Strathaven, na Escócia, Barry Leitch consolidou sua reputação como um dos mais influentes compositores de trilhas sonoras para videogames, especialmente na era retrô. Seus trabalhos inesquecíveis adornaram títulos que marcaram gerações, incluindo TFX, Gauntlet Legends, Gauntlet Dark Legacy e Rush, além do inconfundível Top Gear do Super Nintendo. Sua arte transcendeu plataformas, do SNES ao Nintendo 64, cravando seu nome na memória afetiva de milhões de jogadores.
A inesperada e bem-sucedida conexão entre o lendário compositor e o jogo brasileiro Horizon Chase, inicialmente lançado para celulares em 2015, foi orquestrada por uma figura chave: o músico brasileiro Thiago Adamo. Um fervoroso admirador do trabalho de Leitch, Adamo atuou como a ponte, facilitando o contato através do PR Jesus Fabre, que presta serviços a estúdios independentes em diversos países. O elo criado por Adamo não apenas trouxe Barry Leitch para o projeto Horizon Chase, mas também o levou a participar de eventos no Brasil, como o Video Game Live, solidificando a admiração mútua.
A Ascensão de Horizon Chase Impulsionada Pela Trilha Sonora
Quando a Aquiris, então uma promissora desenvolvedora liderada por Sandro Manfredini, concebeu Horizon Chase, o jogo já demonstrava potencial. No entanto, foi a inconfundível trilha sonora de Barry Leitch que o catapultou, transformando o que era inicialmente um 'RETRO-RACERS' em um fenômeno. A música não apenas evocou a nostalgia dos clássicos, mas também injetou uma energia única, contribuindo decisivamente para o sucesso do título. Essa sinergia resultou na expansão do jogo para Horizon Chase Turbo em consoles, no aclamado DLC Senna e, posteriormente, em Horizon Chase 2.
O Impacto da Aquisição e a Descontinuação dos Títulos Originais
O caminho de sucesso da Aquiris culminou em sua aquisição pela gigante americana Epic Games. Contudo, essa transição trouxe consigo mudanças significativas. Em março, a Epic realizou um corte de cerca de mil trabalhadores globalmente, afetando inclusive um funcionário brasileiro com mais de uma década de dedicação à marca.
Como consequência direta dessa reestruturação, os títulos originais Horizon Chase e Horizon Chase Turbo, desenvolvidos integralmente pela Aquiris antes da aquisição, foram sumariamente descontinuados das lojas. O acesso a esses jogos será cortado a partir do dia 1º de junho, marcando o fim de uma era para muitos jogadores que se apaixonaram por essas versões.
Curiosamente, Horizon Chase 2, que foi desenvolvido em parceria e com a colaboração da Epic Games após a aquisição da Aquiris, não sofreu o mesmo destino e permanecerá ativo. Essa distinção ressalta o impacto das decisões corporativas sobre o catálogo de jogos, priorizando os títulos com envolvimento direto da nova proprietária em detrimento das produções anteriores de um estúdio adquirido.
A trajetória de Horizon Chase é um testemunho da paixão e do talento que podem florescer no cenário independente, especialmente quando enriquecido pela colaboração com ícones como Barry Leitch. No entanto, também serve como um lembrete agridoce da volatilidade da indústria, onde até os jogos mais queridos e suas heranças musicais podem ser afetados por reestruturações e estratégias corporativas, deixando para trás um legado que, para muitos, permanecerá inesquecível, mesmo que inacessível.